Curse of Strahd [Nativos]

Sessão 02
Onde se descobre que o destino é inexorável

Os reportes desta campanha de Curse of Strahd ocorerrão de forma diferente. Aqui, inicialmente, listarei os tópicos que foram abordados em jogo, sem qualquer tentativa de dramatização. Por fim, ficaram os relatos dos próprios personagens, feito pelos seus jogadores, esses sim, com alguma carga de drama.

- A noite mal dormida na residência do burgomestre faz com que Gawain tenha um sonho perturbador e vívido, onde Kolyan não está morto, mas tomado pela corrupção do conde. Ele tenta matar Ireena e todo o grupo se sente impotente conforme a treva aumenta suas forças. 

- No caminho para a igreja, a fim de realizar o funeral, ouve-se o lamento de Mary, uma mulher conhecida do grupo na infância e que, segundo Ismark, enlouqueceu de melancolia desde que sua filha, Gertruda, fugiu de casa. 

- Na ireja, o grupo estranha a decadência do lugar, mas Donavich se mostra solícito em realizar o funeral para Kolyan. Os filhos do burgomestre prestam suas últimas homenagens sob o agourento olhar do castelo Ravenloft. No momento de partida, ouvem um grito vindo do porão, exigindo alimento.

- Donavich tenta fazer o grupo ignorar o fato, mas diante da insistência de todos, o padre conta, aos prantos, sobre o destino cruel de seu filho. O jovem Doru havia caído na lábia de um pretenso salvador da Baróvia e ido junto deste ao castelo para matar o conde. Quando retornou, estava tocado pelo mal, exigindo sangue como alimento. 

- O grupo tenta convenser Donavich de que a melhor solução é acabar com o tormento de Doru, mas o padre não aceita e chora copiosamente enquanto os irmãos descem ao porão e numa luta desesperadora conseguem acabar com o demente Doru. Seu corpo é consumido pelas chamas. 

- Antes de partirem da Baróvia em definitivo, na companhia de Ireena, fazem uma visita a Bildrath, conseguindo um equipamento básico para a viagem. Além disso, conhecem Morgantha, uma suspeita vendedora de deliciosas tortas. 

- Na viagem que se seguiu, o gupo acaba no acampamento vistani do lago Tser. Lá, surpreendentemente bem recebidos pelos ciganos, recebem a notícia de que Madave Eva os espera. Sem muita escolha e curiosos, adentram a cabana da velha.

- Madame Eva lê a sorte do grupo no tarokka, revelando para eles que Kolyan foi um tolo por ter tentado afasta-los daquela terra. O destino, diz ela, é inexorável e cada um deles sempre esteve ligado pelo destino. Por mais que eles queiram negar, o seu retorno a Baróvia era inevitável. 

- Na consulta, as revelações dão conta de mostrar um caminho para onde seguir. Apesar de confusos com as informações, o grupo parte para chegar a Vallaki naquele mesmo dia. 

- Em Vallaki estranha-se o clima de forçosa festividade dentro das muralhas. O grupo se adianta para a estalagem da Água Azul para conseguir informações, mas cientes de que o melhor lugar para se abrigar é a Igreja de Santo Andral, do culto do Senhor da Manhã. 

- Na estalagem o grupo conhece a família Martikov, além dos caçadores Szoldar Szoldarovich e Yevgeni Krushkin, que passam alguma informações sobre lugares citados na leitura de cartas de Madame Eva. Contratando os seviços dos experientes caçadores, o grupo decide começar no dia seguinte, procurando pelo "senhor do pântano", nas ruínas do antigo vilarejo de Berez. 

- O grupo também conheceu o bardo colecionador de histórias Rictávio e a simpatia entre eles foi marcante o bastante para fazer o velho viajante pedir para acompanhar o grupo nas investigações, que certamente renderão excelentes histórias. 

- Como haviam ouvido falar que a igreja de Santo Andral era o único lugar seguro em toda Baróvia, o grupo decide passar a noite lá, onde conhecem o padre Lucian Petrovich, que os abriga de bom grado. A noite, como prometido, é tranquila. 

  • Fragmento do diário de Gawain:
     

    É com terrÍvel senso de urgência, que escrevo essas linhas, não sei se por remorso e culpa, não sei se por medo, mas sei com certeza, que o sonho que tive, foi tão real quanto a pena em meu punho. Sonhei que o caixão de Kolyam estava vazio, e dele, esparramado ao chão, estava um rastro de material liquido pegajoso com o odor nauseabundo, comumente exalado por cadáveres e esse rastro se edirigia a escada que leva ao segundo andar. Lá, no segundo pavimento, foi possível ouvir o grito de pavor Ireena e quando me dirigi as pressas pra lá, notei sua porta escancarada eo rastro fétido era o tapete de minha corrida esbaforida rumo ao quarto de minha jovem irmã.

    Peço perdão pela caligrafia embargada, mas as lembranças que me surgem me causam espasmos de pavor. Entenda, eu já tirei inúmeras vidas, mas numca vi antes, um cádaver determinado a dar cabo da vida de alguém, e se os mortos podem andar, de nada mais posso duvidar, sinto minha razão sendo compelida para as profundezas do esquecimento sendo subjulgada pela barbáridade dos acontecimentos, eu numca rezei antes, numca achei necessário, mas o nome do senhor da manhã ultimamente não sai dos meus lábios, fico repetindo-o numa tentativa vã de buscar conforto nessa bruma que me cerca.

    Ao me libertar do sonho maldito, lembrei que era nesta manhã que enterrariamos Kolyan, meus movimentos desesperados para verificar se o caixão estava de fato vazio, despertaram a curiosidade de meus irmãos que me observavam com genuina preocupação, após contar meu sonho a eles, os mesmos me confessaram terem tido realmente uma péssima noite.

    Após um dejejum apático, nos aprontamos para nos encaminhar em direção ao templo da cidade carregando o caixão que parecia ter o peso da minha infância. Decididos a dar um enterro digno ao velho Burgomestre, marchamos sob espirito fúnebre e de forma solene, quando subitamente, um odor extremamente prazeiroso e convidativo agrediu meu olfato, e não só o meu, Trudvang parecia decidido em após o funeral, seguir o odor e descobrir a fonte de tal prazer.

    A decadência do templo do deus da manhã, só fortalece meus temores aumentando minha certeza que estamos sozinhos e abandonados neste mundo de escuridão e bruma. Cercado por bancos destruidos e de frente para um altar pobre e empoeirado, no centro da nave, estava o sacerdote a nos aguardar, ao que pareçe, Ismark já havia avisado o velho homem da fé sobre nossa chegada e objetivo. Seu nome é Donavich, e ele está ali para encomendar a alma de nosso pai, e irônicamente encomendamos a alma de seu filho na sequência, não que sejamos loucos e vis, não, mas apôs a serimônia de enterro, vindo do porão da igreja, ouvi berros de loucura a nos insultar e a implorar por alimento, Donavich tentava nos despachar depressa, na tentativa de nos fazer ignorar os gritos de agonia que vinha do subsolo, até que Ismark perguntou onde estava o filho do sacerdote, e Trudvang interveio, adicionando seu notável carisma a interrogação, compelindo assim qualquer tentativa corajosa do homem de mentir.

    Escutamos com atenção o relado do sacerdote, ele nos contou que seu filho Doru, havia se juntado a uma turba de campôneos arrebanhados por um forasteiro que prometia dar cabo da corrupção do conde Stradh. Apenas Doru retornou do castelo. Nos olhos cheios de lágrimas do homem, havia um pedido de clêmencia mudo e sufocado, suas palavras eram embargadas e chorosas e saiam tropeçando a cada revelação que nos fazia, Por fim, não sei bem o que aconteceu, mas nos instantes da tomada de decisão, sobre o que fazer com o filho do sacerdote o que prevaleceu não foi o sentimento que nos acomete quando vamos ajudar alguém, mas era a pura chama da vingança em nossos corações, uma tentativa de mostrar que podiamos revidar, tomar o controle da cituação, mostrar que não estamos ao sabor dos ventos do destino obscuro da Baróvia. Então fomos em direção ao porão, Ismark liderava, empunhando uma tocha e um machado dado por Aghamemnon que o seguia, logo vinham Trudvang e eu com o arco preparado, Ireena estava logo atráz de mim.

    O cheiro vindo do lugar era terrivél, me fazendo lembrar do sonho que tinha tido aquela manhã, cadáver… Era a isso que fedia o porão, não se podia ver muita coisa sem o auxilio da tocha empunhada por Ismark, que estava no centro da sala para aumentar o alcance da luz, apenas era possivél, ouvir sons de arrastar e sussurros vindos das trevas. Pelo pouco que podiamoe enxergar, o porão era quadrado e estava vazio, quando notei sutilmente uma coisa tomar forma por cima do ombro de Ismark, Gritei avisando a todos e atirei na direção do que vi, apenas pude ouvir meu irmão gritar e se curvar, a criatura se movimentava rápido, aghamemnom tentava acerta-la repetidas vezes, mas também não parecia surtir efeito, então Trudvang agiu e acertou com "mancha pulmão", umas duas vezes, o bastante para Ismark se aproximar e por fogo na criatura com sua tocha, as labaredas se apresentaram surpreendentemente rápido, fazendo Doru balançar desesperadamente, enquanto as chamas tomavam seu magro corpo, pude ver seu rosto, tomado pela demência e pavor ele dançava a dança desesperada da morte na tentativa de fazer o fogo apagar. Quando subitamente, enquanto eu o observava bailar, ele olhou na minha direção e saltou.

    Peço pedão pela pausa, os eventos ocorridos depois disso, ainda estão confusos em minha mente, talvez após um caneco de cerveja e uma boa noite de sono… e seu tiver a sorte de acordar no dia segunte eu possa continuar…

  • Do diário de Aghammenon:

    Dia 6.

    Tive a pior noite da minha vida desde as primeiras semanas após ter partido, pela primeira vez, da Baróvia. Sons perturbadores ribombaram pelas portas e janelas da casa assim que a lua começou a crescer no céu; os sons dos uivos e arranhões me fizeram passar a noite agarrado ao meu velho e companheiro machado. Nunca o manchei de sangue – pelo menos não acordado – mas sinto cada vez mais que isso mudará em breve. As criaturas da noite foram embora apenas com o raiar do sol, seus silvos e gorgolejos pareciam zombar da minha falta de sono e tensão crescente. Escutei outros passos pela casa, mas felizmente não era um invasor maldito: eram meus irmãos Trudvang e Ismark. Curiosamente, Gawain dormiu pesado durante a noite inteira, e passei alguns momentos observando-o dormindo, talvez invejando a sua capacidade de se desligar do pesadelo em que nos metemos. Passei longos momentos com meu pai, meditando ao seu lado e triste em vê-lo nessa situação. Morto de preocupação e desgosto em ver sua única filha ser desejada pelo Maldito…

    A manhã chegou com Gawain preocupado, provavelmente por ter dormido igual uma rocha. Ismark mudou bastante ao longo desse tempo, era apenas um menino preocupado cheio de perguntas ao nosso pai. Hoje, ao vê-lo segurando o caixão de nosso pai, desgrenhado e com os olhos profundos de alguém mortalmente preocupado, mudou algo em mim. Senti pena por ele, vontade de abraça-lo… Porém, uma parte de mim insistiu em sentir alívio. É com muita vergonha que admito sentir alívio em não ser ele, em não precisar enfrentar essa situação. Nossa caminhada até a igreja foi tranquila, apesar da silhueta do Castelo Ravenloft insistir em permanecer sobre nós. Uma lamúria triste e perturbada nos atingiu ao longo da nossa solitária procissão, e era ninguém menos do que Mary, hoje em dia chamada de Louca. Ismark disse que sua filha desapareceu num dia comum, e nunca mais foi vista depois de entrar nos bosques. O choro dela que me despertou algo: ninguém nos acompanhava ou sequer observava na rua. Seguimos até a ainda decadente Igreja do Senhor da Manhã onde fomos recebidos por um capelão diferente do que me lembrava: Donavich. Ele prontamente se colocou à disposição para velar nosso pai, e me atingiu profundamente o aspecto abandonado e arruinado da Igreja. Admirava-a tanto em minha infância, e foi sua arquitetura imponente que me levou a seguir os caminhos de marceneiro. Rascunhava desenhos dela, à distância e nos andares superiores da mansão de meu pai, passando dias e noites imaginando como poderia fazer uma enorme Igreja. Meus pueris sonhos eram de criar uma Igreja tão alta que sempre pudéssemos sentir o calor e a luz do sol. Hoje, enquanto descíamos o caixão até o fundo da cova, cercados por árvores e arbustos sinistros e o perpétuo nublar dos céus, entendo que eu queria uma fuga dessa realidade…

    Após o enterro, o dia mudou por completo. Escutamos gritos horríveis vindo do porão da Igreja, e para nossa surpresa, descobrimos que Donavich escondia seu filho no porão. Ele entrou em desespero quando o pressionamos, balbuciando amedrontado uma história desconexa sobre como o Maldito rogou uma maldição sobre seu filho. Mencionou um bravo homem que levou aldeões para enfrentar o próprio Strahd em seu castelo. Quando descemos para investigar aqueles gritos inumanos, encaramos o próprio horror! Os eventos foram rápidos, e não tenho certeza do que aconteceu naquele porão. Mas a… criatura que encontramos clamava por sangue, clamava por nossas vidas. Ele se movimentava rápido demais, e feriu profundamente Ismark. Minha única reação foi pegar aquela besta pelos pés e arremessa-lo para longe dos meus irmãos. Não consegui entender direito o que ocorreu em seguida, mas não consigo esquecer de como as chamas consumiam de forma sobrenatural aquele cadáver, daquilo que um dia fora o filho de Donavich. O pobre sacerdote ficou apático, sob os cuidados de Ismark, enquanto finalmente batemos em retirada da Vila da Baróvia em direção a Vallak. Finalmente começaríamos nossa viagem para levar Ireena para longe das garras de Strahd.

    Nossa viagem foi intranquila, e percorremos muitos caminhos que nunca havia conhecido por entre as matas ancestrais dessa terra eterna. Circundamos diversos morros e bosques, e caminhamos por longas horas ao longo do Lago XXX até encontrarmos um divertido e colorido acampamento Vistanni. Foi uma visão onírica, e mesmo acalentadora, testemunhar aqueles homens e mulheres cantando e dançando, de forma tão simples e tão entregues ao momento. Estavam cantando em seu idioma, e nos receberam com sorrisos e abraços. Bebi um dos vinhos mais saborosos de minha vida retirado de um tonel de madeira ao relento, e brevemente esqueci de nossa missão. Rapidamente, retornamos à dura realidade ao encontrarmos uma das figuras mais complexas e misteriosas que já devem ter vivido nessas terras: Madame Eva. A pequena senhora mencionou muitos segredos nossos, que não poderia conhecer de forma alguma! Utilizou uma linguagem de difícil compreensão, usando analogias misteriosas e alegorias estranhas, e o que mais impressionou foi o seu jogo de cartas Vistanni. O resultado foi estranhíssimo, e gostaria de registrar aqui para que nenhum detalhe fuja de minha memória:

    A carta do Encantador foi dita que nos ajudaria a conhecer nosso inimigo, e que precisaríamos nos atentar a uma mulher ajoelhada, a uma rosa amarrada e ao mestre de algum pântano.

    A carta do Bispo nos indicaria uma Força do Bem, e que ela reside atrás de portas de âmbar.

    A carta do Abjurador mostraria a Lâmina do Sol, a força e o poder para derrotar nosso inimigo que reside no interior de uma casa arruinada e guardada por uma alegoria, um dragão de pedra.

    Por fim, e de forma perturbadora, nos foi revelada a carta do Senhor Negro, justamente para indicar o nosso aliado nessa batalha. Admito que meus ossos gelaram como nunca em minha vida ao ver essa figura perturbadora desenhada nas antigas cartas de Madame Eva.

    Antes de prosseguirmos com o fim de nossa viagem, a anciã revelou informações terríveis. Disse que nosso inimigo é uma figura antiga, maligna, e que precisaríamos acreditar nas informações das cartas para fazê-lo dormir novamente. Será que Strahd é um demônio de verdade? Com tantas informações, já começo a duvidar de minha própria sanidade… E, para finalizar essa longa e perturbadora entrada em meu diário, a viagem até Vallak transcorreu sem maiores problemas. Precisamos nos refugiar de uma turba violenta que estava rumando para o próprio castelo Ravenloft! Achamos melhor não nos revelarmos aos furiosos, pois Ireena estava assustada e precisa ser mantida em segurança. 

    Nossa chegada a cidade murada foi mórbida, pois fomos recebidos por centenas de cabeças de lobo cravadas em lanças por toda a muralha e ruas. Conseguimos conhecer pessoas interessantes, como o caçador Szoldar que tem possíveis pistas sobre nossa busca. Ele indicou o caminho para um pântano, que devemos trilhar amanhã em busca de respostas para os enigmas das cartas. Despeço-me, arruinado de preocupação e cansaço, enquanto vejo meus amigos e Ireena dormindo já profundamente perto de mim. Que o amanhecer do novo dia não nos traga mau augúrios.

  • Relatos de Trudvang:

    Os acontecimentos daquela casa ainda me perturbam. Deve ser por isso que mal interagi com Ismark ou Ireena quando chegamos à estalagem. Confesso ter sido um reencontro do qual não criara nenhuma expectativa sobre, porém os fatos seguintes confirmam a estranha atmosfera de todos esses fatos. Resolvemos passar na igreja do Senhor da Manhã, e lá tivemos a péssima experiência com o padre Donavich. Seu filho fora amaldiçoado e se tornara uma criatura das trevas! Perdi minha costumeira calma quando meus companheiros abstiveram de quaisquer responsabilidades para tratar este assunto, me convencendo a deixar apenas Ismark resolver sozinho. Não pude deixar meu antigo amigo à própria sorte, e descemos assim para dar-lhe cobertura. Os eventos a seguir foram um tanto quanto bizarros para eu poder descrevê-los precisamente. O filho do padre surgiu do breu, atacando Ismark e tentando mordê-lo. Contivemos ele com muito esforço, e com uma flechada certeira meu camarada Gawain despachou a criatura desse mundo para sempre. Pobre padre, perdeu seu filho duas vezes.

    Saímos da igreja e felizmente pude adquirir algumas tortas estranhamente deliciosas na saída da cidade. Graças a Ismark conseguimos nossos suprimentos de viagem, e foi arranjado que Kolyana deveria ir conosco até Vallaki.

    Na estrada, tive a péssima experiência de encontrar um desenho feito por mim quando criança. Que raios de peça estão tentando me pregar, eu não faço ideia.


    Na primeira bifurcação meus companheiros escolheram seguir a encosta do lago, e encontramos os Vistani em seu acampamento. Fomos avisados que a vidente nos esperava, e perguntar como ela sabia de nossa chegada é tão desnecessário quanto perguntar se saímos tranquilos dessa conversa. Não foi apenas um encontro qualquer. A bruxa leu as cartas e nos disse que nosso destino estava entrelaçado com o conde Stradh. Desgraça pior que essa está difícil de imaginar. Deixei anotado em algum lugar os resultados dessa leitura, mas pouco me importa agora, pois a segurança de Kolyana parece imprescindível para manter Stradh no cabresto. Fomos recebidos bem na cidade, e como sugerido, passamos a noite na igreja local, onde dormimos finalmente um sono tranquilo.
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Sessão 01
Onde se conhece a inocência ameaçada...

Os reportes desta campanha de Curse of Strahd ocorerrão de forma diferente. Aqui, inicialmente, listarei os tópicos que foram abordados em jogo, sem qualquer tentativa de dramatização. Por fim, ficaram os relatos dos próprios personagens, feito pelos seus jogadores, esses sim, com alguma carga de drama.

- Os personagens são nativos da Baróvia, órfãos, que foram tutorados por Kolyan e enviados, ainda jovens, para outros lugares do Núcleo, a fim de estudar e sair do opressivo vale.


- Anos depois, tendo perdido o contato entre si, uma carta preocupada do antigo tutor os faz voltar. 

- Os velhos amigos se encontram ainda na viagem, demorando um tempo para desenvolver a velha intimidade, mas seguem a viagem unidos até os portões da Baróvia.

- O único sentimento que parece uní-los é o arrependimento de ter voltado, além da lealdade para com Kolyan. 

- Já na vila da Baróvia, tomada por uma bruma que deixa apenas uma rua nua, são abordados por duas crianças bem vestidas, da família Durst. Estas crianças, completamente sozinhas nas brumas, alegam que existe um monstro em sua casa e que seus pais estão fora. 

- No interior da casa, procurando ajudar as crianças, o grupo é confrontado com alguns fenômenos bizarros, fazendo com que duvidem da própria sanidade e é só no quarto das crianças, no sótão, descobrem uma escada secreta até uma galeria subterrânea.

- Existe ainda uma cena onde encontram um recém nascido, cuidado por uma enfermeira que se lança da casa assim que o grupo chega, suicidando-se. Eles passam a cuidar do infante.

- Pouco a pouco fica claro que aquela família participava de ritos macabros. Uma galeria de artefatos profanos e um coro de vozes que entoa "Ele é antigo, ele é a terra". 

- No salão do culto, o coro fantasmagórico não mostra sua fonte, mas uma imensa criatura humanóide, morta viva, os espera para o sacrifício. Com desespero o grupo consegue detê-la e fogem da casa desesperadamente, enquanto esta desmorona sobre o coro "Um deve morrer!".

- Do lado de fora, com a casa tombada, o grupo descobre que ninguém vive ali a anos. Perturbados, partem em busca de Kolyan.

- É na taverna Sangue de Vinho que encontram Ismark, filho de Kolyan, jovem, mas decadente e perturbado pelos últimos acontecimentos. Ismark chora ao reconhecer os velhos amigos, os irmãos, e contas péssimas notícias.

- Kolyan está morto, seu coração não aguentou a caçada do demoníaco Strahd contra Ireena e o corpo dele ainda está na casa, dentro de um caixão que Ismark e a irmã fizeram.

- Na casa do burgomestre, o grupo confirma o que foi contado e conhecem Ireena, que era muito nova quando eles partiram do vale. Passam a noite lá, disposto a ajudar a dar um funeral digno para o pai de todos naquela casa. 

- A noite em si é perturbadora, com o farejar de lobos nas frestas das portas, o arranhar na madeira e o silvo de morcegos nas janelas. 

  • Fragmento do diário de Trudvang:

"Desde que saí de minha morada, nada mais tem sido o mesmo.

Essas estradas cheias de névoas e solidão, sempre me trazem aquele arrepio do desconhecido, sempre pondo à prova se as histórias macabras contadas por tantos viajantes são verdade. É verdade que embora eu tenha uma certa experiência no que se refere a divagar por locais onde poucos tem coragem, jamais admiti com convicção para eu mesmo que não tenho medo do desconhecido.

Reencontrar Hagamenon e Gawain trouxe de volta memórias estranhas. Quando eu ainda não tinha calos suficiente na mão para manejar sequer uma pá. É possível notar que ainda há um certo rancor entre eles. Os anos passaram, e da mesma forma como eles não sabem sobre minhas atividades, imagino a vida que eles vem levando. No entanto, o ocorrido naquela mansão jamais vai me sair da memória. Será que estamos ficando loucos? Aquele bebê era real. Posso senti-lo em meus braços agora. No entanto ele desapareceu, assim como aquela casa e o que havia dentro dela. Aquela terrível criatura no subsolo! Criatura hedionda! Tenho certeza que meus companheiros possuem as mesmas dúvidas sobre a realidade dos fatos. Embora não tenhamos trocado palavras a respeito, sinto no olhar de cada um a dúvida da própria sanidade. Talvez ter voltado pra terra de Stradh não tenha sido uma boa ideia. Talvez o demônio dos infernos já esteja brincando conosco. Eu não quero ficar aqui por muito tempo."

  • Dos diários de Aghamemnon:

    Dia 1.

    Hoje foi um dia muito diferente. Parecia mais um como outro qualquer. No entanto, um sutil demônio escondido nos pequenos detalhes do cotidiano aguardava para desferir um bote em minha consciência. Qual não foi minha surpresa ao receber essa carta, com palavras tão preocupadas e trêmulas? Parece que a última foi há uma eternidade. Olhando para o passado, vejo quão nosso contato diminuiu com o arrastar dos anos. Naquelas primeiras semanas desde que parti, a sensação de novidade foi lentamente sendo substituída por uma inquietação no fundo da alma, nas profundezas das minhas entranhas. Um medo, que demorei muito para compreender. Uma sensação estranha, de como algo me observasse de muito longe, algo que cavalga atrás das estrelas nas noites escuras e que se esconde além das esparsas nuvens num dos raríssimos dias de céu claro. E essa sensação é como as eternas brumas da nossa terra: ora se adensam, sufocando o peito e trazendo uma inquietação perturbadora, ora se dissipando e permitindo o coração bater livre, fora dessa prisão de lembranças que vem e vão. No fim, mesmo não tendo conhecido o toque amoroso de uma dedicada mãe, sinto como se a Baróvia nunca me deixasse ir, como se fosse uma mãe ciumenta e protetora que não deixa o filho se distanciar de seu olhar por muitas vezes exagerado e dominador. A mãe que nunca tive, a mãe que o destino quis que fosse Kolyan.

    Dia 2.

    Parti rápido, antes do nascer do sol. O dia anterior foi surpreendentemente agradável, os afazeres diários não cobraram um imposto severamente grande da minha disposição, mesmo com o serviço atrasado na fazenda de Gillian. A noite, no entanto, transcorreu mais rápido do que eu gostaria. A insônia me atacou novamente, e passei a noite imerso nos pensamentos do que encontraria pela estrada. Desde que parti, nunca imaginei refazer meus passos de volta à Baróvia. Desde que parti, torci para que nunca precisasse fazê-lo. Infelizmente, parece que o destino nunca deixa de fazer piadas ardilosas.

    Dia 4.

    Cavalguei tranquilamente pelos últimos dias, mas os pensamentos tem se tornado cada vez mais nublados. Cruzei antigas estradas pontilhadas no meu mapa, vi na distância colinas repletas de mata virgem, onde essas árvores de madeira forte devem viver desde o início dos tempos. Há muitos anos eu não acampava nas margens de uma antiga estrada e passava a noite encarando as chamas da fogueira, tentando encontrar o que o futuro me reservada. Ontem, repeti esse mesmo ritual. Qual não foi minha surpresa ao encontrar meus antigos companheiros na última – ou primeira – estalagem antes de entrar na Baróvia. O tempo definitivamente fez bem aos meus antigos camaradas, mas parece que apagou a chama viva da amizade que uma vez carregávamos, deixando apenas uma brasa. Muito tempo se passou, e muitas lembranças foram lavadas da memória. No entanto, as que eu mais gostaria que fossem esquecidas estão se tornando cada vez maiores e mais nítidas. Só posso esperar que a pequena Illana não se lembre daquele dia no bosque, onde tudo mudou.

    Dia 5.

    Cruzar os antiquíssimos portais da Baróvia foi como vestir um casaco de chumbo. Vê-lo ao longe bagunçou mais ainda meus sentimentos. Vivemos coisas estranhas, coisas indizíveis, e pouco pude fazer a não ser lutar para que minha sanidade continue intacta… Coisas que deixaram um horrível gosto na minha boca, um gosto que não foi embora nem após afogar minha sobriedade em vinho e cerveja. Ainda não sei por onde começar a escrever essa entrada, e talvez fosse melhor não registrar nada. Assim, caso o pesadelo horrível que tive hoje se concretize – onde eu estava morto e abandonado enquanto os galhos das árvores ancestrais me arrastavam para dentro dos bosques eternos da Baróvia – eu não seja taxado de louco ou insano. Pensei ter perdido o controle hoje após visitar aquela casa maldita, e meus companheiros não abrem a boca para conversar sobre o que aconteceu. Os acontecimentos de hoje foram estranhos, sobrenaturais, como num sonho ruim do qual temos consciência, mas nenhum poder de acordar. A sombra do castelo Ravenloft parece ter descido de maneira inexorável sobre nossa pequena vila, sobre nosso destino, sobre Ireena. Ela está linda, e talvez por isso o Maldito tenha jogado sua sombra sobre nós. O que podemos fazer? Somos pessoas comuns, não temos dons extraordinários… Droga, sequer queríamos ter retornado para esse lugar! Mas, enquanto escrevo essas palavras, o cadáver de meu pai jaz de forma não natural no andar abaixo, e seu espírito provavelmente vaga numa bruma insólita de mágoas, alquebrado e infeliz pelos motivos que nos reuniram novamente. Precisamos evitar que seu corpo seja levado pelas criaturas do Maldito, e precisamos encontrar alguma forma de livrar Ireena de seu destino. Como fazê-lo, eu não sei. E, talvez por estar no local de minha infância, esteja me agarrando em uma pueril esperança de conseguirmos fugir amanhã sem nenhum que o olhar do Maldito recaia sobre nós.

  • Das anotações de Gawain:

    Minha mente está cansada. Os últimos eventos, abusaram da minha sanidade brutalmente, nem mesmo minha tentativa de ignorar a carta de Kolyan deu resultado produtivo, foquei no trabalho, caçei um patife por três meses, eo rastro do ladrão me levou até este momento infeliz. É dificil esplicar meus sentimentos, vê-los me fez lembrar das gargalhadas sinceras, e quando digo sinceras, me refiro aquelas que vem da barriga, espontâneas e poderosas como trovão, coisa que não tenho a décadas, e só de imaginar, ficar sob as sombras do castelo Ravenloft novamente, faz minha entranhas azedarem, posso sentir uma mão gelada apertar meu peito, quando conjuro da minha memória infantil, a imagem opressora da fortaleza negra.

    Ao avistar, o colossal portão da Baróvia, pude lembrar a treva e o mau agouro que aqueles portões negros representam, eu até finjo um despreendimento, mas vejo pelos olhares silenciosos dos meus irmãos, que eles sabem que estou apavorado também.

    Pelos sete infernos! Eu me recuso a crer no que aconteceu! Acabei de ver uma casa ser consumida por ela mesma, como água escorrendo por um ralo, mulheres suicidas e bebês fantasmas, sabia que voltar para esse lugar era um erro, minhas dores de cabeça se intensificam toda vez que olho na direção do castelo, o mal age neste lugar de sombras. Tenho que sair daqui.

     

No tarokka, a carta do Inocente se refere a uma pessoa de grande importância cuja vida está em perigo. Podendo estar além da salvação ou ignorante ao perigo.

 

 

 

 

 

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