Curse of Strahd [Nativos]

Sessão 01

Onde se conhece a inocência ameaçada...

Os reportes desta campanha de Curse of Strahd ocorerrão de forma diferente. Aqui, inicialmente, listarei os tópicos que foram abordados em jogo, sem qualquer tentativa de dramatização. Por fim, ficaram os relatos dos próprios personagens, feito pelos seus jogadores, esses sim, com alguma carga de drama.

- Os personagens são nativos da Baróvia, órfãos, que foram tutorados por Kolyan e enviados, ainda jovens, para outros lugares do Núcleo, a fim de estudar e sair do opressivo vale.


- Anos depois, tendo perdido o contato entre si, uma carta preocupada do antigo tutor os faz voltar. 

- Os velhos amigos se encontram ainda na viagem, demorando um tempo para desenvolver a velha intimidade, mas seguem a viagem unidos até os portões da Baróvia.

- O único sentimento que parece uní-los é o arrependimento de ter voltado, além da lealdade para com Kolyan. 

- Já na vila da Baróvia, tomada por uma bruma que deixa apenas uma rua nua, são abordados por duas crianças bem vestidas, da família Durst. Estas crianças, completamente sozinhas nas brumas, alegam que existe um monstro em sua casa e que seus pais estão fora. 

- No interior da casa, procurando ajudar as crianças, o grupo é confrontado com alguns fenômenos bizarros, fazendo com que duvidem da própria sanidade e é só no quarto das crianças, no sótão, descobrem uma escada secreta até uma galeria subterrânea.

- Existe ainda uma cena onde encontram um recém nascido, cuidado por uma enfermeira que se lança da casa assim que o grupo chega, suicidando-se. Eles passam a cuidar do infante.

- Pouco a pouco fica claro que aquela família participava de ritos macabros. Uma galeria de artefatos profanos e um coro de vozes que entoa "Ele é antigo, ele é a terra". 

- No salão do culto, o coro fantasmagórico não mostra sua fonte, mas uma imensa criatura humanóide, morta viva, os espera para o sacrifício. Com desespero o grupo consegue detê-la e fogem da casa desesperadamente, enquanto esta desmorona sobre o coro "Um deve morrer!".

- Do lado de fora, com a casa tombada, o grupo descobre que ninguém vive ali a anos. Perturbados, partem em busca de Kolyan.

- É na taverna Sangue de Vinho que encontram Ismark, filho de Kolyan, jovem, mas decadente e perturbado pelos últimos acontecimentos. Ismark chora ao reconhecer os velhos amigos, os irmãos, e contas péssimas notícias.

- Kolyan está morto, seu coração não aguentou a caçada do demoníaco Strahd contra Ireena e o corpo dele ainda está na casa, dentro de um caixão que Ismark e a irmã fizeram.

- Na casa do burgomestre, o grupo confirma o que foi contado e conhecem Ireena, que era muito nova quando eles partiram do vale. Passam a noite lá, disposto a ajudar a dar um funeral digno para o pai de todos naquela casa. 

- A noite em si é perturbadora, com o farejar de lobos nas frestas das portas, o arranhar na madeira e o silvo de morcegos nas janelas. 

  • Fragmento do diário de Trudvang:

"Desde que saí de minha morada, nada mais tem sido o mesmo.

Essas estradas cheias de névoas e solidão, sempre me trazem aquele arrepio do desconhecido, sempre pondo à prova se as histórias macabras contadas por tantos viajantes são verdade. É verdade que embora eu tenha uma certa experiência no que se refere a divagar por locais onde poucos tem coragem, jamais admiti com convicção para eu mesmo que não tenho medo do desconhecido.

Reencontrar Hagamenon e Gawain trouxe de volta memórias estranhas. Quando eu ainda não tinha calos suficiente na mão para manejar sequer uma pá. É possível notar que ainda há um certo rancor entre eles. Os anos passaram, e da mesma forma como eles não sabem sobre minhas atividades, imagino a vida que eles vem levando. No entanto, o ocorrido naquela mansão jamais vai me sair da memória. Será que estamos ficando loucos? Aquele bebê era real. Posso senti-lo em meus braços agora. No entanto ele desapareceu, assim como aquela casa e o que havia dentro dela. Aquela terrível criatura no subsolo! Criatura hedionda! Tenho certeza que meus companheiros possuem as mesmas dúvidas sobre a realidade dos fatos. Embora não tenhamos trocado palavras a respeito, sinto no olhar de cada um a dúvida da própria sanidade. Talvez ter voltado pra terra de Stradh não tenha sido uma boa ideia. Talvez o demônio dos infernos já esteja brincando conosco. Eu não quero ficar aqui por muito tempo."

  • Dos diários de Aghamemnon:

    Dia 1.

    Hoje foi um dia muito diferente. Parecia mais um como outro qualquer. No entanto, um sutil demônio escondido nos pequenos detalhes do cotidiano aguardava para desferir um bote em minha consciência. Qual não foi minha surpresa ao receber essa carta, com palavras tão preocupadas e trêmulas? Parece que a última foi há uma eternidade. Olhando para o passado, vejo quão nosso contato diminuiu com o arrastar dos anos. Naquelas primeiras semanas desde que parti, a sensação de novidade foi lentamente sendo substituída por uma inquietação no fundo da alma, nas profundezas das minhas entranhas. Um medo, que demorei muito para compreender. Uma sensação estranha, de como algo me observasse de muito longe, algo que cavalga atrás das estrelas nas noites escuras e que se esconde além das esparsas nuvens num dos raríssimos dias de céu claro. E essa sensação é como as eternas brumas da nossa terra: ora se adensam, sufocando o peito e trazendo uma inquietação perturbadora, ora se dissipando e permitindo o coração bater livre, fora dessa prisão de lembranças que vem e vão. No fim, mesmo não tendo conhecido o toque amoroso de uma dedicada mãe, sinto como se a Baróvia nunca me deixasse ir, como se fosse uma mãe ciumenta e protetora que não deixa o filho se distanciar de seu olhar por muitas vezes exagerado e dominador. A mãe que nunca tive, a mãe que o destino quis que fosse Kolyan.

    Dia 2.

    Parti rápido, antes do nascer do sol. O dia anterior foi surpreendentemente agradável, os afazeres diários não cobraram um imposto severamente grande da minha disposição, mesmo com o serviço atrasado na fazenda de Gillian. A noite, no entanto, transcorreu mais rápido do que eu gostaria. A insônia me atacou novamente, e passei a noite imerso nos pensamentos do que encontraria pela estrada. Desde que parti, nunca imaginei refazer meus passos de volta à Baróvia. Desde que parti, torci para que nunca precisasse fazê-lo. Infelizmente, parece que o destino nunca deixa de fazer piadas ardilosas.

    Dia 4.

    Cavalguei tranquilamente pelos últimos dias, mas os pensamentos tem se tornado cada vez mais nublados. Cruzei antigas estradas pontilhadas no meu mapa, vi na distância colinas repletas de mata virgem, onde essas árvores de madeira forte devem viver desde o início dos tempos. Há muitos anos eu não acampava nas margens de uma antiga estrada e passava a noite encarando as chamas da fogueira, tentando encontrar o que o futuro me reservada. Ontem, repeti esse mesmo ritual. Qual não foi minha surpresa ao encontrar meus antigos companheiros na última – ou primeira – estalagem antes de entrar na Baróvia. O tempo definitivamente fez bem aos meus antigos camaradas, mas parece que apagou a chama viva da amizade que uma vez carregávamos, deixando apenas uma brasa. Muito tempo se passou, e muitas lembranças foram lavadas da memória. No entanto, as que eu mais gostaria que fossem esquecidas estão se tornando cada vez maiores e mais nítidas. Só posso esperar que a pequena Illana não se lembre daquele dia no bosque, onde tudo mudou.

    Dia 5.

    Cruzar os antiquíssimos portais da Baróvia foi como vestir um casaco de chumbo. Vê-lo ao longe bagunçou mais ainda meus sentimentos. Vivemos coisas estranhas, coisas indizíveis, e pouco pude fazer a não ser lutar para que minha sanidade continue intacta… Coisas que deixaram um horrível gosto na minha boca, um gosto que não foi embora nem após afogar minha sobriedade em vinho e cerveja. Ainda não sei por onde começar a escrever essa entrada, e talvez fosse melhor não registrar nada. Assim, caso o pesadelo horrível que tive hoje se concretize – onde eu estava morto e abandonado enquanto os galhos das árvores ancestrais me arrastavam para dentro dos bosques eternos da Baróvia – eu não seja taxado de louco ou insano. Pensei ter perdido o controle hoje após visitar aquela casa maldita, e meus companheiros não abrem a boca para conversar sobre o que aconteceu. Os acontecimentos de hoje foram estranhos, sobrenaturais, como num sonho ruim do qual temos consciência, mas nenhum poder de acordar. A sombra do castelo Ravenloft parece ter descido de maneira inexorável sobre nossa pequena vila, sobre nosso destino, sobre Ireena. Ela está linda, e talvez por isso o Maldito tenha jogado sua sombra sobre nós. O que podemos fazer? Somos pessoas comuns, não temos dons extraordinários… Droga, sequer queríamos ter retornado para esse lugar! Mas, enquanto escrevo essas palavras, o cadáver de meu pai jaz de forma não natural no andar abaixo, e seu espírito provavelmente vaga numa bruma insólita de mágoas, alquebrado e infeliz pelos motivos que nos reuniram novamente. Precisamos evitar que seu corpo seja levado pelas criaturas do Maldito, e precisamos encontrar alguma forma de livrar Ireena de seu destino. Como fazê-lo, eu não sei. E, talvez por estar no local de minha infância, esteja me agarrando em uma pueril esperança de conseguirmos fugir amanhã sem nenhum que o olhar do Maldito recaia sobre nós.

  • Das anotações de Gawain:

    Minha mente está cansada. Os últimos eventos, abusaram da minha sanidade brutalmente, nem mesmo minha tentativa de ignorar a carta de Kolyan deu resultado produtivo, foquei no trabalho, caçei um patife por três meses, eo rastro do ladrão me levou até este momento infeliz. É dificil esplicar meus sentimentos, vê-los me fez lembrar das gargalhadas sinceras, e quando digo sinceras, me refiro aquelas que vem da barriga, espontâneas e poderosas como trovão, coisa que não tenho a décadas, e só de imaginar, ficar sob as sombras do castelo Ravenloft novamente, faz minha entranhas azedarem, posso sentir uma mão gelada apertar meu peito, quando conjuro da minha memória infantil, a imagem opressora da fortaleza negra.

    Ao avistar, o colossal portão da Baróvia, pude lembrar a treva e o mau agouro que aqueles portões negros representam, eu até finjo um despreendimento, mas vejo pelos olhares silenciosos dos meus irmãos, que eles sabem que estou apavorado também.

    Pelos sete infernos! Eu me recuso a crer no que aconteceu! Acabei de ver uma casa ser consumida por ela mesma, como água escorrendo por um ralo, mulheres suicidas e bebês fantasmas, sabia que voltar para esse lugar era um erro, minhas dores de cabeça se intensificam toda vez que olho na direção do castelo, o mal age neste lugar de sombras. Tenho que sair daqui.

     

No tarokka, a carta do Inocente se refere a uma pessoa de grande importância cuja vida está em perigo. Podendo estar além da salvação ou ignorante ao perigo.

 

 

 

 

 

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